Por Pr. Dr. Custódio Rangel - Presidente Nacional da Adhonep
Conheci muitos pastores e muitos ministérios, tendo sempre desfrutado
amizade e respeito entre todos eles. Aliás, desde cedo aprendi
a acatar e respeitar os que estavam acima de mim, os que de alguma maneira
representavam a autoridade. Observei ao mesmo tempo pessoas sendo duramente
atingidas em suas famílias, nos negócios e na própria
vida, por não saberem respeitar as autoridades.
Muitos, por desconhecer ou não dar importância a este assunto,
caem em erros lamentáveis. A autoridade divina representa o próprio
Deus, ao passo que Seu poder é manifesto por seus atos. O pecado
contra o poder é mais facilmente perdoado, enquanto o pecado
contra a autoridade se volta contra Deus. Ao atrever-se a querer ser
maior que o próprio Deus, o querubim Lúcifer se transformou
em Satanás (Isaías 28:12-15, Ezequiel 28:13-17). Como
ser possível, então, que alguém que deseje fazer
a obra do Senhor intente realizá-la de acordo com os princípios
de Satanás?
Conheci um homem que considerava muito. Julgava-o cheio de poder de
Deus. Ele era instrumento do batismo com o Espírito Santo; orava
e Deus curava. Fiquei abismado, sem poder acreditar, quando ele se envolveu
num movimento contra Demos Shakarian*. Logo previ sua queda, o que não
demorou a acontecer. Até câncer na garganta ele sofreu.
Se na obra que realizamos para Deus existe rebeldia, então Sua
glória irá para Satanás, mesmo com todos os nossos
sacrifícios. O Senhor jamais aceitaria de Saul a oferta de sacrifício
de bois e ovelhas, pois havia um princípio satânico nela
envolvido. E a Bíblia declara que "a rebelião é
como pecado de feitiçaria" (I Samuel 15:27).
Não nos deixemos enganar! Temos de fugir a todo e qualquer movimento
de rebeldia! Em Mateus 7:21-23, Jesus declarou não conhecer aqueles
que no nome dele profetizavam, curavam e expulsavam demônios.
Por ter no ego seu ponto de partida, eles realizavam a obra sem praticar
os frutos do Espírito. Sua atividade era de inspiração
carnal, o que Deus de modo nenhum aceita. Satanás incentiva tremendamente
a rebeldia na obra de Deus. Ele se alegra e se ri, sempre que isso acontece.
Muito antes de Deus me envolver com a Adhonep, senti grande desejo de
abrir uma igreja no meu bairro, ocupado por pessoal de nível
social elevado. Incomodava-me muito não ver aos domingos ninguém
com a Bíblia na mão, indo para uma igreja; o que observava
era muita gente fazendo exercício no calçadão,
seguindo alegres em direção à praia. Não
que considerasse isso errado, de modo nenhum. Só que me entristecia
o fato de o esporte e o lazer serem aparentemente a grande preocupação
das pessoas, que se esqueciam de sua imensa necessidade espiritual.
Já construíra três igrejas, que foram entregues
ao ministério da minha denominação. Sentia desta
vez que a nova igreja teria de ter uma estratégia diferente para
aquele nível de moradores e um nome diverso do que tinha a minha
denominação. Ao consultar meu pastor, recebi dele apoio
total. Foi então aberto um novo trabalho no bairro, tendo eu
recebido dele a bênção e a autoridade para executá-lo.
Entretanto ele ficou sendo seu pastor-presidente. Aliás, nunca
teria construído aquela igreja sem sua autorização,
por mais que reconhecesse sua necessidade e urgência, pois eu
sabia, como sei, que é inútil tentar empreender a obra
de Deus com espírito de rebelião, com princípios
satânicos. Em lugar de sermos abençoados seremos envergonhados
e amaldiçoados, tal como aconteceu com Saul. Amado, fuja de qualquer
posição na qual haja envolvimento de rebelião!
Temos na Bíblia vários exemplos marcantes de rebelião.
Nadabe e Abiú, filhos de Arão, por exemplo, ofereceram
sacrifícios que se tornaram fogo estranho. Como isso chegou a
acontecer? Filhos de sacerdotes, acostumados a sacrificar, consideraram-se
capazes, e até melhores que o pai (Levítico 10:1 e 2).
Fogo estranho significa o fato de servir sem ordem, sem prestar obediência
à autoridade. Mesmo sendo mais novos e talvez inclusive mais
capacitados, não poderiam oferecer sacrifício sem a ordem
de Arão. Isto foi muito sério aos olhos de Deus. Eles
trabalharam separados de Arão, independentes dele. No entanto,
Deus queria que se submetessem à autoridade por ele constituída.
No trabalho de Deus, o Senhor coloca uns com autoridade, outros debaixo
dela. O que Ele antes de tudo considera é a obediência
de cada um à sua posição. Aquele que levanta a
cabeça e age independentemente está caindo em rebeldia,
o que pode resultar em morte. Não há lugar para serviço
individual, isolado. No trabalho espiritual todos devem servir em coordenação
e disciplina.
Há alguns anos conheci dois pastores novos, irmãos de
sangue, muito bem-sucedidos. Com grande sucesso em suas mensagens, eram
muito conhecidos em todo o Brasil. Eloqüentes, encantavam grandes
platéias. Morreram num terrível e inexplicável
acidente de carro, juntamente com as esposas. Contemplei cheio de pasmo
aqueles quatro caixões lacrados, perguntando a Deus a razão
de não haver guardado aquelas criaturas. Não recebi nenhuma
resposta. Passado algum tempo vim a saber que aqueles pastores novos,
capacitados e inteligentes tinham por escrito um plano para desativar
e aposentar todos os pastores antigos, mais idosos de sua denominação.
Tal iniciativa, logicamente, iria provocar muitas dores no povo de Deus.
O que aqueles pastores estavam ignorando é que eles estariam
tocando não exatamente nos anciãos, mas em Deus. O certo
é que Deus age hoje diante da rebeldia da mesma maneira que agia
antigamente, nos tempos bíblicos.
Autoridade espiritual não é algo que se obtém por
esforço próprio. Ela é concedida por Deus a quem
Ele escolhe. Quando alguém ambiciona demais um cargo ou posição,
certamente não os alcançará. Movido por vaidade,
a ambição de um certo status ou lugar, será cortado
dos planos de Deus, pois toda a glória pertence unicamente a
Ele, não ao homem. O espiritual difere do natural. Deus escolhe
aqueles que nada são aos olhos do homem para que Sua glória
seja vista. Ninguém pode roubar a autoridade por Ele concedida.
Moisés é um grande exemplo do que disse. Ele não
estava nada inclinado a aceitar ser o líder do povo israelita.
Reconhecia ser pesado de língua, tendo recusado muitas vezes
o chamado de Deus. Finalmente, Deus colocou Arão ao seu lado
para falar por ele.
Arão e Miriã, irmãos mais velhos de Moisés,
caíram num tremendo engano. Por ser Moisés mais jovem,
deveria naturalmente se submeter a eles. Isto com respeito à
família, não à obra de Deus. Nisto eles teriam
de respeitar a autoridade concedida por Deus a Moisés, submetendo-se
a ela. Acontece que eles não aceitavam a mulher etíope
de Moisés, pela pele escura. Provavelmente Miriã poderia
ter aconselhado Moisés como irmã mais velha, mas não
agiu assim, tampouco Arão. Ambos falaram contra ele, dizendo:
"Porventura tem falado o Senhor somente por Moisés? Não
tem falado também por nós? "(Números 12:2).
Grande tumulto se instalou em todo o Israel. Moisés convencido
de que Deus o estabelecera como autoridade, não revidou. Tocar
num ungido de Deus é muitíssimo perigoso. O próprio
Deus se encarrega de destruir os rebeldes e faladores. Palavras rebeldes
e difamações sobem ao céu e são ouvidas
por Deus. Diz a Bíblia que Deus ouviu as reclamações
de Miriã e Arão. Sua ira se acendeu contra ela, que ficou
leprosa, branca como neve, em condição muito pior que
a etíope, de pele escura.
Ponho-me a pensar no quanto Arão e Miriã haviam colaborado
no ministério de Moisés, desde a saída do povo
do Egito. Miriã profetizava e dançava junto com o povo,
em louvores a Deus. Arão era a boca de Moisés, sempre
atento a seu lado. Como depois de tanto amor, entusiasmo e dedicação
puderam se deixar levar por rebeldia e insubmissão?
A dolorosa verdade é que é muito mais fácil, sem
perceber, cair neste terrível pecado. Daí ser tão
importante vigiar o tempo todo. É muito perigoso falar mal de
quem tem posição de liderança, recebeu a unção
de Deus. O versículo 15 do salmo 115 ordena: "Não
toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis meus profetas". Preste
atenção quando palavras injuriosas são pronunciadas
contra alguém. A injúria é prova de que há
um espírito de rebeldia, o germe da rebelião.
Temos que ter temor de Deus, e nunca falar dos anciãos da igreja,
ou de pessoas que estão acima de nós, em qualquer ministério.
Deus é o vingador de tais ofensas.
Que Deus nos conceda a graça de reconhecer a autoridade que está
acima de nós. O pecado de rebelião não é
contra aquele que tem o cargo de liderança, e sim contra o próprio
Deus. Sigamos o maravilhoso exemplo de Davi, que tanto prezada e reconhecia
a unção de Deus. Ele não desprezou ou ignorou nem
mesmo a unção de Saul, que fez coisas erradíssimas,
tendo sido inclusive rejeitado por Deus. Foi essa atitude sábia
e nobre de Davi que o levou ao sucesso e à vitória. Quando
Saul morreu, ele chorou amargamente, o que nunca seria de esperar-se,
dadas as circunstâncias difíceis que por culpa dele se
viu obrigado a enfrentar. Entretanto Davi não cultivava sentimento
de vingança. Se houvesse sido diferente, Deus não lhe
concederia a vitória.
Temos que entender que a Santidade de Deus não permite a presença
de sentimento nenhum de vingança, mágoa ou insubmissão.
Caso haja tais sentimentos em nossas atitudes, Ele não agirá
por nós, nem nos dará a vitória.
Davi foi considerado o homem segundo o coração de Deus,
porque sempre acatou e estimulou a autoridade divina. Seu reino continua
até hoje. Jesus pertenceu à sua linhagem. Precisamos nos
examinar sempre, buscando detectar todas as raízes de rebeldia
em nós presentes. Só teremos chance de estar em lugar
de autoridade se nos submetermos à autoridade. Não podemos
ser portas abertas, dando passagem ao diabo, deixando-o à vontade
- talvez por um tempo - para atrapalhar o trabalho de Deus. Miriã
com sua atitude, obrigou o povo a parar sete dias no deserto!
Saiba que você pode ser uma bênção ou uma
maldição na obra de Deus. Isto é muito sério!
Jamais cobice a posição do outro. Não vale a pena
ocupar o lugar de autoridade sem ser chamado. Isso é palha aos
olhos de Deus e logo será queimado. O sucesso da Igreja de Jesus
Cristo depende de nós. Não vamos contribuir para atrasá-la.
Então não demos lugar ao diabo!
* Demos Shakarian: Americano fundador da Adhonep no mundo